A história dos antúrios brancos
Os
antúrios brancos contam a minha história.
Chegaram-me de surpresa. E eu sempre
frágil, reguei-os desmanchada. Para eles perceberem que só por existirem já me
deixavam feliz. Tão bonitos no seu ser e estar tão simples. Sem artifícios. O
mais próximo do que a natureza tem: a terra, a água, o ar.
Como
as plantas não podem fugir, só podemos mesmo cuidar bem delas.
E
é esta a história mais bonita que as plantas nos contam, enquanto são connosco.
Existir é belo. (Só) existir (já) é belo.
E
cuidar. Aprendermos a cuidar.
Quando
as saudades apertaram, que nem marés: ora enchiam e transbordavam, rebentando
com força nas rochas, ora esvaziando e dando um espaço que aliviava, os
antúrios brancos e as suas folhas verdes começaram a murchar. A encolher-se. A
procurar a terra, baixinha, quase a tocar no chão.
A planta, sempre tão graciosa, começava, também ela a
fraquejar.
Sempre
disse a minha avó - que se o não fosse, seria com certeza a flor mais bela que
se poderia encontrar – que as flores reflectem o estado de espírito das pessoas
e o ar que as envolve. Respiram connosco.
Cuidei
da minha planta: cortei os antúrios secos, pus estacas e fio de pesca para
segurar as folhas descaídas, com todo o carinho que de mim deslindei.
Passadas duas semanas, quando regressei, como
regressou a Primavera, encontrei-a a suster-se por ela própria: verde e com
dois pontinhos brancos: os dois novos pequenos antúrios que já espreitam por
entre as folhas.
Estes
antúrios brancos contam a minha história.
Nenhum comentário:
Postar um comentário