A doença infantil do esquerdismo
"A fronteira entre esquerda e direita tem vindo a diluir-se cada vez mais, com a adopção praticamente generalizada da linha social-liberal e a consequente rendição à ortodoxia financeira vigente. Não é sequer um fenómeno estritamente europeu, se pensarmos por exemplo na enorme desilusão que constituíram a presidência Obama nos EUA ou a presidência Rousseff no Brasil.
O exemplo da esquerda portuguesa é dos mais exasperantes. Temos um PS dividido em torno da sua liderança, sem que, para além das características pessoais de cada um dos candidatos – Seguro e Costa –, se perceba o que os separa na estratégia ou nos programas. E enquanto o folclore das campanhas de apoio (...) corrói a credibilidade do PS como alternativa ao actual Governo, a restante esquerda vai-se alegremente desintegrando em mil correntes, com a óbvia e arqueológica excepção do PCP.
O PS continua a ser eterno suspeito de ‘traição histórica’ com a direita, impedindo quaisquer relações de confiança. É o álibi que resta às várias esquerdas de protesto, em acelerado processo de decomposição (caso do BE e congéneres) ou petrificação (como o PCP).
O Bloco tornou-se uma fragmentada inutilidade política. Tal como a pulverizada nuvem de figuras e movimentos, ora divergentes ora convergentes, que gravitam na sua órbita.
Como diriam os clássicos, a esquizofrenia cisionista é a doença infantil do esquerdismo."
Semanário Sol,
Excertos dos artigos de Vicente Jorge Silva e José António Lima
18/07/2014
Excertos dos artigos de Vicente Jorge Silva e José António Lima
18/07/2014
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