A cidade já não produz coisas

"A cidade já não produz coisas. A criatividade sob todas as formas deve ser o recurso com que temos de contar quisermos que a nossa cidade e o nosso país sobrevivam."

Escreveu David Byrne à revista Creative Time em Julho de 2013, sobre a cidade de Nova Iorque.

"Vim para Nova Iorque nos anos 70 porque a cidade estava no centro da efervescência cultural, sobretudo nas artes visuais, ainda que o mundo musical já fosse dinâmico, mesmo anda explosão da cena experimental. Nova Iorque era lendária. Era lá que as coisas aconteciam.  Toda a gente sabia que a vida não era fácil, mas as rendas eram baratas nos lofts sem água quente sem aquecimento, e a alegria de se estar lá compensava todas as provações. 

A cidade tem um corpo e um espírito, uma estrutura física, bem como um repositório de ideias e de informações. O saber e a criatividade são recursos. Quando os aspectos físicos (e financeiros) funcionam, o fluxo de ideias, a criatividade e a informação são facilitados. Infelizmente, estamos a chegar a um ponto em que muitos nova-iorquinos estão excluídos desta equação há demasiado tempo. A dimensão cultural da cidade - o seu espírito - foi usurpado pelos 1% mais ricos da população.

O engodo da riqueza fácil seduziu jovens talentosos e inteligentes. Institucionalizou-se uma cultura da arrogância e do orgulho desmedido,  onde o vencedor arrecada os ganhos. Os tiranos eram felicitados e encorajados. O viveiro de talentos tornou-se um recurso escasso para todos os sectores, excepto Wall Street." 

Excertos na revista Courrier Internacional, mês de Junho
Tradução de Jorge Pires
(Artigo completo disponível em: http://creativetimereports.org/2013/10/07/david-byrne-will-work-for-inspiration/)



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