Esperança em estado bruto
O problema, uma vez mais, é a gestão de expectativas da ideia de Felicidade. Porque esta, quando surge, não é mais do que a esperança em estado bruto. Sentimo-la por tudo aquilo que está por nascer, nesse projecto por cumprir lançamos toda a nossa energia e esperança de futuro. Por isso, os grandes amores são os que não se cumpriram ou acabaram em tragédias. Por isso, os políticos mais mitificados são os que morreram cedo. Por isso, nos vamos tornando mais nostálgicos com o gastar dos anos e todas as épocas são as piores para quem as vive; com o envelhecimento transformamo-nos no que nunca se cumpriu totalmente, porque na juventude (quando tudo era possível e a esperança existia em estado bruto) fizemos loucos planos para nós e para o mundo.
É um pouco como as amizades. As que são uma segunda pele, com excepções, são as que vêm de trás. Não é que as outras, as que passamos a reconhecer como parte de nós, sejam menos relevantes - simplesmente são amizades que nos tocam quando já conhecemos o peso da desilusão. A certa altura, fechamos para sempre a sala onde todos podiam tocar em tudo.
Excerto da crónica de Luis Osório no Semanário Sol:
A ideia de felicidade é que estraga tudo
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