Deixem-se de tretas

"Na verdade, nenhum de nós tem necessidade de se levar tão a sério. Porque o que importa sempre é o balanço entre o deve e o haver. E a certeza de que sem nós a vida continuará como antes. Gente deslumbrar-se-á com o sol da manhã e a lua nas noites, nascerão novos heróis, utopias, livros e espectáculos. Inventar-se-ão jogos e maldades, continuarão a disputar-se campeonatos e a marcar-se golos, jovens apaixonar-se-ão e jurarão ser eterno o que sentem. No dia em que me fecharem o último candeeiro (talvez a luz de presença que pedia em criança), o mundo prosseguirá como se nada fosse. O 'meu' café será bebido por outros, os 'meus' filhos e os deles correrão sem mim. Como os rios, o vento e tudo o resto.

Deixem-se de tretas."

Luís Osório,
22 de Janeiro de 2014
Semanário Sol

Lisboa, 2013

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