China, um Toque de Pecado

“Assim sendo e porque são previsíveis reformas estruturais em economias da região asiática, designadamente em economias semi-periféricas, a começar pelos New Industrialized Countries, não se apresenta líquido (…) que o Japão, a Coreia do Sul ou Taiwan não venham a experimentar, dentro de 5 a 10 anos, alguns problemas, sobretudo à medida que as respectivas sociedades se forem democratizando e abrindo ao exterior (inclusive, em termos culturais), ganhando peso a ideia de que a qualidade de vida aparece ligada a um 'efeito demonstração – imitação social'.

Assim, a República Popular da China, por exemplo, poderá vir a emergir como um 'NNIC' – 'New New Industrialized Country', mantendo a situação de 'dumping social' durante alguns anos, em virtude de caminhar para uma estranha simbiose de liberalização (ainda que contida) de um sistema estatizante caduco com a preservação de um regime político autoritário capaz de conter as reivindicações salariais e de atenuar o supra-mencionado 'efeito de demonstração-imitação social'.

Mas, o próprio “marketing” político associado à 'reconquista' de Hong Kong e de Macau, ao conduzir ao reconhecimento da existência de um país – dois sistemas, poderá constituir o detonador de um processo de 'subversão' das estruturas económico-político-sociais dominantes, levando à queda do último modelo relevante de direcção-central.”

António Rebelo de Sousa, 2004
"Da Teoria da Relatividade Económica Aplicada à Economia Internacional e às Políticas de Cooperação"



 Filme de Jia Zhang-Ke, 2013

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